Poema das horas

Colagem de Q-TA www.q-ta.com
4 horas
o breu, tua silhueta
5 horas
o cínico cheiro do arrependimento mete o pé na porta
6 horas
é dia, há mundo
7 horas
ah, me bate a impaciência
teu corpo vibra
tua perna [se mostra]
me consolo
presenteio-me com o divino perseguido a noite inteira
som dos pássaros
teu cheiro
7:30
meu olho para e encara
é um mundo que se adianta em ser mundo
é uma obra do acaso
que se ilude em planos
não sei se chega a dar 8 horas
meu café ainda é quente
8 horas
teus olhos estão vendados
o sonho ainda queima
9 horas
ouço rumores de almas arrebatadas
9:37
eu mesmo já não me sinto mais aqui
[apenas brinco de ser algo]
10 horas é a hora que o mundo acaba
tudo o que sobra
é o que sobra
11 horas
tu acordas,
escovas os dentes com a estranha sensação de que nada mais importa
as vezes chega a dar meio-dia
mas no geral chega a tarde e mata a matéria
e dá fim ao pesadelo.

This entry was posted on quinta-feira, 26 de janeiro de 2017 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

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