A rua é dos que sentem ódio

Nós devemos parar a beira da encruzilhada? Nós temos raiva! E a revolta nos trará de volta, enquanto aguardamos no ponto bélico da ação selvagem. Olho para trás e há uma fila de corredores, cheia de escritores e pensadores que se acorrentaram no conforto do microcosmos. Falam de amor, estão contemplativos. Sabem que tudo está perdido e se encarceraram em seus próprios casarões.

A rua agora é daqueles que sentem ódio. A noite é daqueles que gritam ao desafiador brilho de uma lua perseguidora e que queimam seus próprios corpos para jamais chagarem ao ponto de ousar se acostumar. O bairro está em chamas, os patrícios tentam, lá do alto, apagar com cuspe. Não olharemos para cima até que a estrutura queime, até que tudo desmorone e possamos olhá-los de frente. E quando finalmente, frente à frente, obrigados a nos encarar, verão em nossos olhos o ódio, que eles mesmos ousaram criar.


[12-10-2016]

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