Foi em um momento genuíno e sagrado de agonia. Um momento em
que a dor infestava seu bom senso com a sede pulsar do alívio imediato. A carne
sangrava, os germes riam. Multiplicavam-se e multiplicavam o vazio do oco. Uma
sensação que controlava sua mente e o homem, possivelmente, poderia ser pego
sorrindo.
Estava lavado, banho tomado. Estava noite e a luz dormia. A
noite era o momento em que eles lhe chamavam. Era o momento em que o impulso, em
pulsação, marcava. Marcava as horas, marcava os ordens. E o homem marchava. Ele
já não se controlava, só se ia.
Era como se a dor, ao tomar controle, quisesse viver sua
vida. Como se quisesse passar um recado. A noite era fria.
Quando os pássaros fugiram, furtivos, ao perceber o recado,
o vazio invadiu a rua. Deixando-o sozinho, batalhando contra o vazio interno,
acompanhado do vazio de fora. Fora quando não haviam mais espectadores, quando
não haviam mais expectativas, que o vazio interno se entristeceu e invernou no
silencio do mundo esvaziado.
Já não havia vida na terra. E os poucos botões, batendo em
sincronia direta, traziam o alívio. O alívio de não sentir mais nada.