O Navio Aéreo

I
.
O mundo é como um navio aéreo
Voando baixo
Pelo agarro penduricalho do conservador
Mas para o fracasso daquilo que é estático
Plana e voa

..
E se cada movimento, por insignificante
Responde prontamente uma reação
Que lhe permuta no papel do questionário
E traz mil novas reações
Mil novas realidades para cada molécula do mundo
Ainda assim, o mundo continua igual?
Ele nem ao menos pode ser ele em total

...
Tirados dos campos verdes da liberdade animal
Todo dia é apenas trilho de uma mesma engrenagem
Mantida em cada pedra, em cada parede, em cada cimento
Mantida escondida, quietinha, dentro de cada pensamento
....
O homem já foi bicho
O homem já foi também filosofia
Até ontem, o homem era radiação
Hoje é apenas triste silhueta de indiferença
De um vazio, do qual já não satisfaz apenas a crença
O homem já tem a consciência
De que está pelado, surrado e morto

II
Um fato
Que ele esconde do mundo e pelo contrário
Mostra outra de suas invenções: Felicidade
O mais egoísta e conformista fardo que o mundo carrega nas costas
Peso que pesa do homem, que fracassa até em ser feliz
Ao tirar dos seus a justa entrada
Em troca de uma pouca felicidade exagerada
Amada, invejada e vomitada

Homem, esse é teu mais sincero canto
Que nega teu núcleo ao sorrir de cima do barco
E quando o conservador agarra,
Com seus dedos frios, a minha bota
Avançando em passo falso
Mal sabe ele que o mundo
Ao soltar meu calço ao fundo
Reage como tapete
Aos meus pés descalços

III ou IV
Por fim, livro-me do peso do imenso caixote de erros etiquetado “natureza humana”

[E com o vento intenso da liberdade vazia de qualquer freio
Nosso navio aéreo se funde ao céu e ao mar (hipotético)
Alguém lá fora talvez já saiba
O navio aéreo agora só segue adiante
E ele nunca mais irá voltar]


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