cravos marcados não levam ponto

Com cravos marcados não se leva ponto
Eu demorei mais aprendi a viver tanto quanto
E se morri foi vigiando a minha pele em um canto
Da sala onde meu corpo dormia coberto por um manto
Se entrasse devagar talvez acordaria
Se sorrateasse mas deixasse minha marca
Talvez alguém ouviria
Com cravos marcados não se leva ponto
Aprendi talvez tarde, no entanto cá estou
Tentando cinco, seis vezes o que já tentei umas mil
Tenho andado pensando, se ninguém mais me ouviu
Estão eles todos loucos ou eu que nem sequer sou para estar
Não sei onde eu paro, não sei onde eu vou, nem se tenho lugar
Vigio minha pele deitada num canapé
Eis que me surpreende meu corpo agora em pé
Olha para o escuro canto que me restava soar aconchegante e seguro
Olha nos meus olhos, sim, me via, meu viu e olhou profundo
Seja o que estivesse ditando ordem em meu corpo, logo me sorriu
E seu sorriso antigo meu tratou de esfriar todo meu espectro restante
Saiu andando com meu corpo, libertino, triunfante
Fiquei preso aquela sala, apenas imaginando onde estará meu corpo
Sempre penso muito nisso, e de tanto fico tonto
E passo o dia refletindo
Que com cravos marcados não se leva ponto 

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