Uma homenagem ao dia
internacional da educação:
Sabe que agora nem sei?
Visava saber mais e
mais
O “sabia” e o saber eu
repassava
E em teu seio
proliferava
Mas agora eu nem sei
mais
Não sei mais porque
fazes isso
Nem sei do que serás
capaz
Logo eu que orgulhava
saber
Sabia eu que há tantos
personificava
A razão e o saber e tão
mais
Pois tão mais se desfaz
Que agora nem sei
Hoje saí de casa
cambaleando
Minava-me o embrulho do
que depende de mim
O saber daqueles que saberão
Ou saberiam
Quando volto pra casa
Volto outro
Minado, cambaleado
Mas sem saber
Sem saber, ó filho
Por que é que faz-me
agora isto
Talvez seja essa, a
maneira mais crua de dizeres que falhei
Porém mesmo ajoelhado à
teus pés eu mantenho meu punho fechado
Não me entregar-te-ei
mesmo que tenha contigo falhado
Pois como tu sou falho
e se soubestes que não poderá falhar
Certo em mim que esse
falso saber não aprendestes comigo
Certo como o sangue que
me escorre de teu instrumento
Certo como a luz
ofuscante que me diz que todo o resto é incerto
Que a partir de hoje
nada sei nem saberei
Eu costumava saber das
coisas
Pois sabes, agora nem
sei
Me é terrível só de
pensar
É horrível, um dia tu
verás
E na luz ofuscante do
que nada sei e do que nada sabes
Só saberá relembrar
E então lamentará
reviver
O dia em que matastes o
saber