O dia em que o estado matou o saber

Uma homenagem ao dia internacional da educação:



Sabe que agora nem sei?
Visava saber mais e mais
O “sabia” e o saber eu repassava
E em teu seio proliferava
Mas agora eu nem sei mais
Não sei mais porque fazes isso
Nem sei do que serás capaz
Logo eu que orgulhava saber
Sabia eu que há tantos personificava
A razão e o saber e tão mais
Pois tão mais se desfaz
Que agora nem sei
Hoje saí de casa cambaleando
Minava-me o embrulho do que depende de mim
O saber daqueles que saberão
Ou saberiam
Quando volto pra casa
Volto outro
Minado, cambaleado
Mas sem saber
Sem saber, ó filho
Por que é que faz-me agora isto
Talvez seja essa, a maneira mais crua de dizeres que falhei
Porém mesmo ajoelhado à teus pés eu mantenho meu punho fechado
Não me entregar-te-ei mesmo que tenha contigo falhado
Pois como tu sou falho e se soubestes que não poderá falhar
Certo em mim que esse falso saber não aprendestes comigo
Certo como o sangue que me escorre de teu instrumento
Certo como a luz ofuscante que me diz que todo o resto é incerto
Que a partir de hoje nada sei nem saberei
Eu costumava saber das coisas
Pois sabes, agora nem sei
Me é terrível só de pensar
É horrível, um dia tu verás
E na luz ofuscante do que nada sei e do que nada sabes
Só saberá relembrar
E então lamentará reviver
O dia em que matastes o saber

This entry was posted on quarta-feira, 29 de abril de 2015 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

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