Porque o Hugo atravessou a rua?


     Cinco? Dez? Sete e meio? Não sei ao certo quantos segundos eu demorei para cruzar uns quinze metros, mas o que eu sei é que o sinal fechou e eu perdia chance da minha vida de atravessar a rua naquele momento.

     Atrás de mim parou uma garota de mais ou menos quatorze anos, falava com o namorado pelo celular, e tinha acabado de sair da padaria que se situava coincidentemente atrás de mim. Olhei uma vez pra ela, duas, três, não faço o tipo discreto sabe?

     O sinal era de três tempos, ou seja, abre para os carros que vem na horizontal, depois abre para os da vertical e depois abre para os pedestres, seria assim na teoria certo? Mas na pratica não acontece. Poderia ter passado em vários momentos que simplesmente não vinham carros, mas não o fiz, e vou lhes contar o porquê. Lembram da garota que estava atrás de mim? Pois é, no momento em que eu parei de notá-la, ela se reproduziu, trazendo a vida – ou pelo menos ao meu campo de visão – duas senhoras que conversavam distraidamente esperando para atravessar a rua. Então eu percebi que eu nenhum deles atravessou por que o “ancião do posto” no caso este que vos digita, era uma espécie de guia e se ele não cruzasse a rua deserta, então ninguém a cruzaria. Neste ponto vocês devem estar pensando, por que diabos ele não entende que elas estavam apenas esperando o sinal abrir? A mais é ai que você se engana… Eu atravessei a rua no vermelho, e quer saber o que aconteceu? A garota veio logo atrás como se eu a guiasse por uma cidade que ela não conhecia e as duas senhoras, bem elas foram até parte do caminho, mas decidiram voltar, pois suas pernas não aguentavam mais andar neste ritmo acelerado, então elas tiveram a genial idéia de usar o dobro do esforço para voltar.

     Assim que passamos pela rua eu parei para dar uma bela olhada e vi que um jovem rapaz de flanelas e óculos anos 80 – aqueles que eu nunca decorei o nome – esperando a boa vontade das velinhas para poder atravessar a rua. Vendo isso eu pude ir pra casa dando boas risadas ao refletir sobre essa “submissão subliminar”.


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